Cartografias do sentir

     às vezes não conseguimos falar. Eu nao consegui, falar, principalmente ao outro, e a mim mesma do passado parecia demais pra mim, parecia que me deixaria em pedaços e eu nao saberia juntar. Mas bem me foi lembrado que fingir que nao estava aqui, a dor, a memória e empatia que me provora a lembrança da minha dor, também nao me faria bem. Negar, dizer que nao estou bem, falar nao vou fazer, não conseguir, falhar. dizer nao, nao vou ser boa o suficiente, nao vou ser perfeita. hoje eu não quero cumprir com esse compromisso, hoje eu nao dou conta. hoje eu quero outra coisa. hoje eu quero sentir, hoje eu quero ser frágil, hoje eu não quero dar conta. o que eu vou fazer para me cuidar hoje, hoje eu tenho comigo a empatia que eu teria com o outro, hoje eu me lembro de ter empatia com o outro. de julgar menos, de ser humana, te entender violÊncias. de reverberações, de ser sensivel ao que é invisivel 

de sentir. 

a cama tem terra, nao entendo o caminho dela até aqui, mas deve ter sido meus pés que a trouxeram 

nao consegui falar, mas me atentei a conselhos de sentir, de me permitir, de fazer algo para me acolher no agora. 

   

pensei em sair correndo, em ver o por do sol, muitas vezes sair de onde estava me permitia sentir, sai correndo quando num sábado a dor ficou insuportavél, sai sai, andei, atravessei a cidade e encontrei colo de uma amiga, sai correndo quando outras angstias me tomaram o corpo, fui pra lugares que me faziam bem. MAs hoje decidi ficar, poder sentir no meu prorpio lugar, não preciso fugir para sentir e fazer coisas que me acolham. nao preciso escolher a dedo com quem vou me abrir para ficar bem. tudo bem se foi assim em outros momentos, mas hoje, escolhi ficar. escolhi olhar para o que tenho e lidar. 

plantei um alecrim, quando alecrim eu já matei? engraçado falar isso com naturalidade porque o que eu estou escrevendo é sobre a morte, a dor da morte. Mas é isso, muitos alecrins já morreram nas minhas tentativas de faze-lo viver. a ironia disso, talvez até a metafora, entendimento eu deixo pra lá. Pois então eu quis plantar um alecrim, na esperança de que talvez esse sobreviva e fique ali, bem no meu quintal como lembrança que eu posso sentir, que posso desistir, que posso falar hoje nao, hooje meu sentimento nao é banal. hoje eu quero sentir. pois se fosse com o outro, já me lembrou alguém, eu nao julgaria, eu acolheria. fica de lembrete para que nas horas que eu esquecer e ser dura demais com o outro, me lembrar de ser doce e acolher, mas de novo, por favor, nao fique com essa coisa de ter que ser perfeita sempre. socorro, celebrer a imperfeição. por favor. 

acendi uma vela, acender uma vela smepre acalmou meu coração, não preciso entender, nem teorizar,. mas acender uma vela sempre me ajudou. bruno, kalil, saúde, meu guias, meu sentir. mas sempre acho que a vela é intelegente e sabe tudo que precisa cuidar e ta detro da gente, e não sabemos falar. 

celebrar e reconhecer o sensível em mim. 

porque encotnramos quem encontramos na vida? 

porqe por mais que algumas pessoas passem por nossa vida e a gente ache que não tem mais nada a ver com elas, porque ainda estamos conectadas com elas? ha sentido nisso


deitei, chorei, sentir uma ansia de falar que amo minha mãe, chorei pensando na dor que alguḿ pode ta sentindo, eu sempre chorei muito facilmento a perda que outras pessoas tiveram com meu irmão, eu sempre chorei pensando que os amigos deles estavam chorando, eu sempre chorei pensando que minha mae chorou quando ele se foi, e eu fiquei forte, eu tinha que ser forte. eu sempre chorei pela julia, pelo meu pai, pela fernanda.. hoje eu tava chorando por outras pessoas, me empatizei com elas, me coloquei no lugar delas e me permiti chorar, até que entendi que eu tinha queu chorar por mim. então chorei por mim 

chorei pela minha perda, chorei pela falta 

entao escrevi um email 

pois pensar a dor que sentir podia ser a mesma que minha mae sentia, e eu precisava dizer que a gente pode sentir 

(sem assunto) 

Eu

Para: Maria Claudete 

(17:46) 

Oi mãe, quis ficar um pouco longe do celular nesse resto de dia, está tudo sobre controle, estou bem e segura, estou só sentindo esse outro tempo longe do celular, mas fiquei com vontade de te dizer que te amo demais e resolvi mandar esse e-mail. Vontade de dizer que reconhecer a dor do outro faz a gente também reconhecer a nossa dor. Nos faz humanos. E que as vezes o melhor remédio é sentir, mesmo que doa muito. As vezes dói demais mesmo. E com a empatia dos outros conseguimos ter porto seguro pra sentir. Ter carinho e amor o suficiente pra sentir e também não desistir. Por isso, mesmo de longe quis vir te dar amor e carinho por mensagem. Sentimos muita dor, mas não estamos só.  Temos amor e carinho uma da outra. 

Te amo, sinta o que for possível de sentir e lembre-se do nosso amor, do amor que sentimos para além da distância e também da matéria corpo, ele nos conecta e nos acolhe, até com quem já se foi. 

Te amo muito,  Brenda


agora, vi a resposta

Maria Claudete 

Para: Eu 

(18:02) 

As vezes penso que vc veio nesse mundo com a missão  de me fortalecer, de ser minha companhia nessa caminhada, que tem dias que é  mais penosa que outros,  quando me sinto meio sem forças vc se faz presente mesmo estando a km de distância e me envolve com esse amor. Estaremos sempre juntas, por que isso è  além  do físico. Te amo incondicionalmente.



esconder o que sou, o que eu sou e o que me torno a cada dia, tem todas essas contradições 
me esponho 

eu mandei um audio, me espondo com quem tinha segurança, memso com medo disso atravessar, érica. eu também me justifiquei, eu ainda não sou suficiente para cumprir com esas tarefas, hooje eu não fui, talvez eu ainda nao seja, teia, talvez eu ainda precise aprender outras scoisas, talvez eu erre, eu sei que até as pessoas que acham que não tem esse direito, até as pessoas que nao podem ter esse direito, tem. sistema por favor nao negue esse direito a ngm. 

quero um projeto comum que falhar seja possível, que acolher o outro, indepedente de qualquer coisa, um projeto que lembramos que somos natureza sensivel, adotei isso ao inves de falar qeu somos humanos, em tentativa menos antropocentrica 

eu abri um caderno 
escreve a lápis 

escrevi a caneta 
eu abri  um outro caderno, um não provavél de escrita, um pequeno, e enfreitei o erro, 
e escrevi 
eu sou falha 
eu ainda terro terra tenho muito o que aprender 
eu erro 
tudo bem errar
tudo bem falhar 
tudo bem não ir 
tudo bem nao dar o melhor de si a todo momento 
tudo bem sentir coisas dificeis 
tudo bem não ser perfeita 
tudo bem sofrer 
tudo bem sentir 
tudo bem não dar conta 
tudo bem se fechar por nao achar que não da contar de sentir tudo isso que doi 

quando abri um caderno 
escrervi a lápis 

foi isso que vim escrever aqui, e tanta outras coisas foram prefacio, eu tentei lembrar do que escrevi num post do instagram pro meu irmmão, não me arrisquei a pegar o celular, não quero 
me contentei em não lembrar, mas foi bom escrever, naquele momento me ajudou a sentir e elaborar 

pois eu escrevi 
a moirte ainda é uma dar coisas mais dificeis de se lidar para o ser humano. o fim. a finitude. a perda. inumeras são as tentativas de amenizar, de tentar explicar, lidar com essa dor. porque doi tanto e porque as vezes não deixamos doer n
ao nos permitimos sentir a dor. 
porque uma hora a gente banaliza a morte ou a dor do outro que sistema é essa que nos nega sentir a dor 
 ˜ a escrita pode ser lugar possível 

nega sentir a dor da perda. Porque precisamos ter força para seguir, se o que queremos é sentir a dor da perda. Se queremos sofrer, sentir tanto e mostrar o tamanho da dor. ser forte é achar lugar para continuar. Mas as vezes ser frágil é dar espaço para sentir a dor da perda a minha dor, não a dor do outro. porque eu sinto a minha dor eu entendo a dor que o outro sente. mesmo a morte sendo a dor qu eem algum momento alguem vai sentir. tudo mundo vai senti. 
porque sinto que a minha dor também estendo a mãe para vocÊ que possa a mesma coisa. Porque entendo que sempre terá um vazio nessa materia entendo que também terá em outra pessoa. Em muitas outras, nesse sistema cruel, e também na naturalidade da vida, a finitude. 
Eu sinto e valido o sentir da perda.A dor da perda. Eu me permito sentir, eu me permito me revoltar, eu me permito ser frágil todas as vezes que for necessário revisitar a dor, eu não mais me finjo ser forte, eu assumo a responsabilidade de ser triste de sentir a dor da perda de humanizar amorte que é natural e doi, doi independente de qualquer coisa. 
Meus sentimentos a sua perda 
a sua dor 
a minha dor 
a empatia do outro fornece conforto eu posso aceitar a empatia do outro em se colocar no meu lugar e oferecer conforto a minha dor 
a reconhecer que doi e sofrer comigo 

a sofrer com o outro 
a sofrer comigo mesma 

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